segunda-feira, 8 de março de 2010

Fui ver, para crer

Fiz o teste São Tomé, fui ver na semana passada, para poder crer, e constatei in loco que o cacho na foto abaixo é mesmo desta safra. Quer mais? É produção orgânica, é mole!


Pergunte a qualquer vivente se ele viu safra igual a esta 2009/10, pode ter certeza que a resposta será: NUNCA! Não é possível afirmar, mas pode-se concluir que nos últimos 100 anos (não falei com nenhum com esta idade), muito provavelmente, ninguém neste período viu uma safra igual.

Há uva até com 7° Babo, fazer o que com ela não se sabe, mas a qualidade realmente está muito prejudicada pelo excesso de chuva que o São Pedro nos mandou e nem podemos ficar muito bravos com ele, afinal, ele mandou um terremoto pro Chile que fez perder mais de 200 milhões de litros que estavam estocados nas vinícolas e, provavelmente, haverá grandes dificuldades para se colocar a safra deste ano, que deve estar iniciando.

O sofrimento chileno é muitíssimo maior.

Mas o nosso problema é aqui. A uva da foto acima deu 16° Babo e o Pida e o Frá não me deixam mentir, eles estavam lá para conferir e quem quer ter certeza disto pergunte a Cooperativa Garibaldi que recebeu a vindima.


Este vinhedo está localizado em Cotiporã, na propriedade do agricultor Jorge Salton de Faria Lemos. Infelizmente, o fotografo é amador e só tirou uma foto com o agricultor e, pior: “discosta”, mas a mesma serve para muito bem ver o carinho que o produtor tem para com a fruta, a acaricia por ver o resultado do seu capricho.


A produção orgânica é uma bela alternativa para a agricultura familiar, de acordo com o Evandro, técnico agrícola da cooperativa, que estava lá no dia da nossa visita, o valor da uva orgânica tem sido o dobro daquela convencional e as empresas pagam o frete até o estabelecimento industrial.

Segundo informações colhidas neste dia, há uma demanda não atendida da indústria por mais de 5 (cinco) milhões de quilos de uva orgânica. Também, é crescente a demanda dos consumidores por produtos orgânicos.

A produção orgânica não é a única alternativa para o setor, mas o Jorge Salton, me disse que estava farto de tanta alergia, causada pela aplicação de defensivos agrícolas e que não via na agricultura convencional um respeito à terra e a natureza. A terra tem vida, não é uma natureza morta, como quer a indústria de fertilizantes, herbicidas e agrotóxicos.

Mas o Jorge Salton não é um monocultor, é produtor também de outras culturas, tais como: figo, caqui, goiaba, cítricos e inúmeras hortaliças, portanto, uma produção diversificada e, tem mais, o Salton é feirante.


O melhor de tudo é que os dois filhos jovens do Jorge Salton estão satisfeitos com as atividades rurais e não pretendem morar na cidade. A filha está estudando e a esposa parece não se queixar da vida que leva.

É um grande alento, dentro de tanto desânimo no meio rural.

Cabe, enfim, felicitar o Jorge Salton e a sua família pelo belo trabalho que estão fazendo e, principalmente, pelo exemplo que estão dando de que é possível produzir e lucrar, com respeito ao meio ambiente.

Nota MIL.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Sacola Plástica – Esclarecimentos

Cometemos um equívoco ao questionar a redução da alíquota do ICMS de 17% para 12% em relação às sacolas plásticas e copos descartáveis para venda dentro do Estado, cujo decreto foi sancionado pela governadora Yeda Crusius e que o vinho não estava contemplado com este benefício.

Tudo indica que fomos induzidos ao erro, já que na nota fiscal de venda consta 17%, mas por um mecanismo contábil 5% são creditados na apuração do imposto. Típica burocracia: pra que facilitar, se pode complicar.

No entanto, é importante ressaltar e deixar bem claro que isto ocorre desde 1989, quando a Lei 8820 foi sancionada pelo governador Pedro Simon.

De lá para cá, os estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Pernambuco concederam redução do ICMS e em alguns casos foi instituída a alíquota ZERO%.

Uma das principais causas do elevado preço dos vinhos brasileiros é a carga tributária: 50% ou mais do preço de venda. Na Argentina, por exemplo, algumas empresas investiram em vinhedos aplicando o valor do imposto devido, como forma de incentivo a viticultura. Isto aqui não ocorre e nem se cogita.

Na esfera federal, é difícil porque o presidente Lula declarou aos empresários que tiveram o prazer de jantar com ele no Copacabana Palace, no Rio, de que a carga tributária é “imexível”, pois o Brasil precisa ser um estado forte e este tem sido um dos motes da campanha da futura candidata Dilma Roussef.

Esperamos que este ESTADO FORTE, não signifique CIDADÃO FRACO, sem segurança, saúde e educação.

Portanto, parece ser o estado gaúcho o único a poder fazer qualquer coisa, já que outros estão fazendo. Pode que o setor não seja importante para a economia brasileira, mas é importante dentro do estado e, repetimos, os vizinhos estão fazendo guerra fiscal.

É importante lembrar que o espumante continua recolhendo 17%, salvo algum subterfúgio. Um produto que cresce 15% ao ano com muito pouca publicidade poderia ser uma importante alavanca de desenvolvimento para o setor e aumentar arrecadação pelo crescimento do volume vendido.

Talvez aqui falte um plano ambicioso do setor de se tornar um dos maiores produtores de espumantes do mundo, afinal, se qualitativamente estamos entre os melhores, embora distantes na produção, não seria tarefa difícil nos aproximar dos maiores.

Quanto às sacolas plásticas, este é, sobretudo, um problema a ser considerado sob o ponto de vista ambiental, portanto, deixemos para os especialistas desta área, mas cabe lembrar que o Carrefour anunciou que banirá as sacolas plásticas de suas redes em 4 anos e o governo norte-americano passou a obrigar a cobrança destas sacolas a fim de incentivar que o consumidor traga de casa a sua sacola e diminua o uso dos artigos descartáveis – normalmente, na natureza, afinal são o símbolo da poluição dos oceanos e da emissão de carbono.

Em não muito tempo, o motor da economia será o ambiente, mas tudo indica que o nosso governo está na contramão da história.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Seria o Pioneiro apenas caxiense e não regional?

Nos últimos dias, farto material foi publicado no jornal Pioneiro de Caxias do Sul lamentando a transferência da Cooperativa Vinícola Aliança para o município de Caxias do Sul, dando clara aparência de que a sua visão é apenas caxiense e não regional.

É sempre lamentável a perda de uma empresa para outro município, principalmente, quando isto ocorre dentro de uma mesma região, afinal, lembra a traição de um irmão.

Pode-se de fato atribuir à saída da Aliança a uma falta de emprenho da Prefeitura de Caxias do Sul ou a guerra fiscal? Seguramente, não de todo, pois há em termos de viticultura outras derrotas no meio.

Há muitos anos se assiste o avanço urbano sobre o meio rural e, consequentemente, a disponibilidade de áreas destinadas ao cultivo da uva é cada vez menor, com a agravante de que esta tendência deve prosseguir, afinal, os caxienses se jubilam de que em breve sua população será de um milhão de habitantes.

Provavelmente, a direção da Aliança já vinha constatando este divórcio entre o urbano e o rural no município, adquirindo terras no município de Encruzilhada do Sul e a Vinícola Santa Colina em Livramento.

Por outro lado, o produtor de uva, desmotivado com o preço mínimo pago pela fruta e envelhecido, está abandonando a atividade, pois o emprego numa empresa redondezas da cidade tem se demonstrado uma alternativa razoável para a sua sobrevivência.

Aqueles que persistem, resolveram produzir suco ou vinho a fim de dar continuidade a sua propriedade rural e com isto há em Caxias do Sul aproximadamente 130 vinícolas de pequeno porte, muitas delas atuando também na área do turismo rural.

Provavelmente, em médio prazo a Aliança ficaria sem matéria-prima local e teria que ir a caça em outros municípios, com maior custo de frete e maiores dificuldades para a própria empresa.

O mundo inteiro assiste complacentemente a uma avalanche de fusões empresariais: Sadia com Perdigão, Pão de Açúcar com Casas Bahia, etc. e estas são uma alternativa importante para dar condições de competitividade neste mercado cada vez mais difícil.

Por qual motivo, uma empresa do Rio de Janeiro, escolheu também Flores da Cunha para instalar uma fábrica para a produção de 10 milhões de litros de suco integral. Também, uma empresa de Minas Gerais se instalou em Monte Belo do Sul para processar mais de 30 milhões de quilos de uva, provavelmente, pela oferta de uva.

Muitas empresas da Serra Gaúcha estão descendo a montanha para plantar uvas em Encruzilhada do Sul, Pinheiras Machado, Bagé, Livramento, etc. Regiões onde é possível cultivar em planícies e mecanizar, além de não dependerem de uma produção extremamente diluída em pequenas propriedades.

O exemplo de união das cinco cooperativas é digno de mérito, pois vai ao encontro dos interesses e anseios da agricultura familiar da Serra Gaúcha, fazendo diminuir o impacto que a relocalização do cultivo da videira pode ocasionar na nossa região.

Portanto, acreditamos que o jornal Pioneiro levantou o problema, mas a culpa não é da Prefeitura de Caxias do Sul e tão pouco teve o mérito de elogiar a louvável iniciativa das cooperativas, que contribuirá inclusive para uma melhor distribuição da produção na região e a diminuição do agigantamento de poucos.

O Pioneiro pensou provincianamente e não regionalmente.

O preço mínimo da uva é justo?

Não é simples afirmar se o preço mínimo da uva é justo ou não, provavelmente, nesta safra 2009/10 o mesmo não o será, pois o tempo não ajudou em nada e os tratamentos foram muitos, aumentando enormemente o custo de produção.

Mas a forma como é feita a divulgação do preço mínimo não é clara. O valor de R$ 0,46/kg é para a uva Isabel com 15°Babo, no entanto, a média da colheita está em torno de 10°Babo e isto significa que o preço da uva ficará em tono de R$ 0,38/kg, para as empresas que são obrigadas a pagar o valor do preço mínimo: as cooperativas e aquelas que financiam a produção com recursos do governo.

Ocorre que a uva é uma matéria-prima – ou mercadoria – igual a qualquer outra, portanto, sujeita as oscilações de mercado. Em outras palavras, quanto mais barata, melhor para a indústria. Este modelo não incentiva a qualidade e a indústria parece não se importar, pois o mercado também parece não exigir qualidade.

O mercado é hoje globalizado, consequentemente, é comum a comparação com outros países e neste sentido a nossa uva é cara em razão da apreciação do Real diante do dólar e outras moedas estrangeiras. Deve-se ressaltar ainda que a nossa viticultura é de montanha – mais custosa - a única da América Latina, portanto, bem diferente que a viticultura de planície – fácil de mecanizar – da Argentina e do Chile. Mais, a média de vinhedos aqui é de 2 hectares por família, enquanto que na Argentina há vinhedos de mais de 1.000 hectares e no Chile também, um importante ganho em escala, uma das razões de que a nossa viticultura está a montanha abaixo em todos os sentidos.

Os juros no Brasil são abusivos se comparados com o resto dos países produtores de vinho, quando não subsidiados ou a fundo perdido, isto eleva o custo de qualquer financiamento e muitos produtores estão com dificuldades para pagar, por exemplo, os empréstimos feitos para a compra de tratores.

O Brasil também é campeão em impostos, um dos mais elevados do mundo e isto encarece tudo. A tarifa de celular no país é a 2ª mais cara do mundo, o lanche Big mac é o 6º mais caro do mundo e assim por diante, portanto os insumos utilizados na viticultura são mais caros, tanto é verdade que há o contrabando destes produtos, vindos dos países vizinhos do Mercosul.

O nosso país é também campeão em burocracia: é taxa e papelada pra tudo que é lado. Agora querem inclusive instituir o selo fiscal para vinhos que será outro custo burocrático importante, para prejudicar ainda mais este setor castigado, cujo prejuízo maior normalmente sobra para o produtor de uva. Com toda a crise, até hoje não se ouviu falar em desemprego na indústria.

A questão cambial, os juros praticados, a tributação e o custo Brasil são de conhecimento do Conselho Monetário Nacional - CMN e sabem disto muito bem, melhor do que ninguém. É difícil de acreditar que o CMN entenda de preço mínimo da uva – francamente, não devem entender absolutamente nada e provavelmente são consumidores de vinhos importados – mas são eles que batem o martelo.

Dirão alguns que é o sistema que está aí e que isto é o legal, mas não o legítimo.

O preço mínimo em seus mais de 40 anos de existência jamais agradou a Gregos e Troianos, portanto, é um sistema que não funciona e é preciso encontrar formas para substituí-lo e soluções para viabilizar a agricultura familiar da Serra Gaúcha.

Para isto é fundamental um amplo diagnóstico das mais de 15 mil famílias que produzem uva na região para visualizar o que é possível fazer para não torná-los tão dependentes da uva. É preciso saber se a agroindústria e o turismo rural é uma saída, a diversificação de culturas e quais, até mesmo uma diversificação de variedades de uvas pode ser uma solução e, principalmente, a produção orgânica.

Tudo isto requer pesquisa, extensão rural, financiamentos dignos e um comprometimento para se evitar uma crise que vem sendo anunciada há um bom tempo. É muito difícil para uma família – casal e dois filhos – viver de um faturamento bruto de aproximadamente R$ 20 mil, valor que provavelmente será a média auferida nesta safra por estas famílias.

Como diz o Deputado Estadual Heitor Schuch, “a agricultura familiar gera quase 90% dos empregos do meio rural, contribui com 30% das exportações do agronegócio e produz praticamente 80% dos hortigranjeiros e dos alimentos que chegam à mesa dos gaúchos. Essa categoria precisa ser cada vez mais valorizada, respeitada e reconhecida, pois devemos entender que quem não vive da agricultura familiar depende dela para sobreviver”.

É o momento da Sociedade Civil participar

É praticamente consenso de todos de que o modo como vivemos hoje em dia é insustentável e se prosseguirmos desta forma acabaremos por esgotar todos os recursos da natureza, pois é preciso crescer e crescer sem levar em conta a capacidade do planeta.

Não se está com isto duvidando da capacidade do ser humano em se adaptar e buscar soluções para os problemas existentes. No passado foram feitas diversas previsões sombrias sobre os destinos da humanidade, mas nenhuma delas considerava o aquecimento global, a poluição e o esgotamento dos recursos naturais, principalmente, a água.

Nas cidades se pensa apenas em saber quantos empregos serão gerados neste ou no próximo ano, consequentemente, quantas empresas deveremos atrair, na necessidade de moradias para abrigar estas pessoas e assim por diante, enfim tudo em nome do progresso.

No entanto, tudo parece se resumir às ações do Estado ou daquelas da iniciativa privada. O primeiro depende de como atrairá votos para se manter no poder e decisões serão tomadas neste sentido, não há outro compromisso senão este. Já o segundo depende do mercado, este Deus Todo Poderoso e se não atender as suas exigências, morre.

Dentro desta polarização a sociedade civil fica a mercê dos interesses destes dois grupos. Ora é a iniciativa privada que deve comandar o espetáculo, ora é o Estado que deve intervir ou ser forte, sem, no entanto, cumprir o seu papel que é proporcionar segurança, saúde e educação para os seus cidadãos.

É o momento, portanto, da sociedade civil passar a se preocupar com o seu destino e futuro, interferindo nas ações e decisões tanto do Estado como da iniciativa privada, já que o modelo atual vem demonstrando ser incapaz de realizar suas atribuições ou pelo menos o que se espera.

Vários exemplos de movimentos sociais estamos assistindo com maior freqüência, através de associações, Ongs, Oscips, cooperativas e, principalmente, pela economia solidária a sociedade civil está encontrando alternativas, pois entra ano e sai ano, os governos se caracterizam por apagar incêndios e a iniciativa privada não colabora para resolver os problemas do presente para que estes não continuem a ocorrer no futuro, ou seja, não há planejamento. Não há um município sequer na Serra Gaúcha que esteja planejando como gostaria de ser daqui a 20 anos.

Cabe aqui ressaltar as ações das entidades Pro Teste e Idec de defesa do consumidor que denunciaram a presença de substância cancerígena em refrigerantes, néctares e refrescos, bem como de corantes prejudiciais à saúde do consumidor. Uma clara demonstração de que o Estado em si está falido, pois através dos órgãos públicos competentes não consegue detectar estes problemas.

Enquanto não houver projeções e, no mínimo, um plano de metas do que se deseja, continuará persistindo o modelo atual, baseado exclusivamente no consumo, que já passou a ser sinônimo de felicidade e na cata de votos.

De nada servirá candidatura única, como deseja o Fórum das Entidades de Bento Gonçalves, se não houver um projeto para o município e isto vale para qualquer outro da região. Isto serve também para a nossa vitivinicultura.

O que somos? O que queremos? Para onde vamos? Seguramente, a maioria não quer seguir como está. Depende é claro da educação, mas se um passo não for dado, daqui a 20 anos estará pior.

Cuidado com o refrigerante que você dá aos seus filhos

A adição dos ácidos benzóico e ascórbico como conservantes em refrigerantes provoca a formação de benzeno, que está relacionado ao desenvolvimento de câncer.
A Pro Teste – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor é quem denunciou a presença em 7 entre 24 produtos testados. Além da Sukita Zero e da Fanta Laranja Light com concentrações acima dos limites aceitáveis, apresentaram benzeno as bebidas Fanta Laranja, Sprite Zero, Sukita, Dolly Guaraná e Dolly Guaraná Diet. O interessante é que isto foi denunciado pela sociedade civil, numa clara demonstração que o Estado em si está falido, pois os órgãos oficiais competentes não estão cumprindo o seu papel de fiscalização à altura do que se espera deles.
Graças à ação da Pro Teste e a que também assistimos do Idec em relação aos néctares e refrescos, é que o Ministério Público Federal fará testes com os refrigerantes e o deveriam fazer também com os “denorex” de suco.
As empresas
Coca-Cola, Ambev e Dolly, foram notificados para prestar esclarecimentos sobre o benzeno e também sobre a presença de corantes artificiais como o amarelo tartrazina - relacionado a alergias - e o amarelo crepúsculo - ligado a hiperatividade em crianças. Ambos são permitidos no Brasil em pequenas quantidades, mas já foram proibidos em outros países.
Qual será a punição destas empresas que estão atentando contra a saúde do consumidor?

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Liberado empréstimo para produtor familiar

CMN aprova medida de apoio para atingidos por problemas climáticos

Agricultores familiares que tiveram prejuízos nas propriedades poderão tomar novos empréstimos, mesmo se estiverem endividados. O anúncio foi feito ontem pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).Produtores que perderam o patrimônio poderão ter auxílio do Pronaf e do Pronaf Mais Alimentos. A medida deve ajudar na reconstrução de propriedades prejudicadas pelo clima.– Não se trata de renegociação – disse o secretário adjunto de política econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt.– Nos últimos meses, em razão dos problemas climáticos, tem ocorrido demanda de negociação que, além de afetar produção, afeta o patrimônio usado para a produção – acrescentou.A avaliação é a de que, se o produtor não tiver condições de prosseguir com seu trabalho, haverá uma dificuldade maior ainda de honrar sua dívida.O conselho também aprovou medidas para cooperativas e para quem produz uvas. Os produtores reivindicavam alta do preço mínimo da uva, mas o governo manteve o valor em R$ 0,46 o quilo e decidiu-se que, a partir desta safra, a renovação será automática.Foram alteradas as condições do Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias. O limite de crédito por associado sobe de R$ 25 mil para R$ 40 mil. Além disso, vai ser permitido reservar até R$ 2 bilhões para capital de giro para aplicação direta nas cooperativas.– Até então, o programa tinha uma trava: ou financiava o produtor ou repassava para a cooperativa. Agora estamos tirando essa trava: tanto faz se o recurso vai via produtor ou cooperativa – explicou Bittencourt.De acordo com o secretário, a mudança foi necessária porque quase todo o recurso contratado até agora está no foco cooperativo:– Temos R$ 850 milhões até agora para cooperativas e, para o produtor, é quase nada. É insignificante. Por isso, estamos tirando a trava.Em relação ao saldo de R$ 2 bilhões, explicou que, anteriormente, desse recurso que era destinado ao programa, apenas R$ 1 bilhão poderia ser aplicado diretamente nas cooperativas. O restante só poderia ser destinado aos associados para que estes integralizassem na cooperativa.

Por que é importante
- Com a medida, agricultores familiares que sofrem impedimento de obter uma segunda linha de crédito porque não são capazes de honrar a primeira a contento poderão, a partir de hoje, obter o novo financiamento, desde que seu patrimônio esteja comprometido a ponto de emperrar a continuidade a suas atividades.


Fonte: ZERO HORA de 26/02/2010

WineCode - O SELO DIGITAL

Em uma era já mais do que digital, líderes e políticos da cadeia produtiva uva e vinho insistem na implantação do selo de controle fiscal para vinhos. Isto é um retrocesso que não combina com inovação e diariamente as empresas devem se adaptar a modernização, tais como nota fiscal eletrônica, boas práticas de fabricação, equipamentos modernos, aço inox, IT, etc.
Quem sabe deveríamos voltar a datilografar as notas fiscais.

O selo fiscal é um processo “analógico” e na grande maioria das empresas deverá ser feito manualmente, com custos que dificilmente serão ressarcidos com o pretendido aumento de faturamento que estes líderes alegam obter pela coibição do descaminho (contrabando), falsificação e sonegação.



WineCode é uma alternativa moderna para o setor e digital, com o simples enquadramento de um selo ou código no rótulo da garrafa através da câmara do celular imediatamente é acessado o site do produtor.

Tudo isto em tempo real, no site do produtor será possível obter informações sobre o vinho, a empresa, localização por GPS, informações turísticas, etc., ou seja, um serviço completo de informações que atestarão à autenticidade do produto.

Para maiores detalhes, visite o site http://www.winecode.it/ e veja como este sistema pode contribuir enormemente para informar o consumidor e, inclusive, ser utilizado como sistema de rastreabilidade, com este propósito, aliás, vem sendo amplamente usado na Itália na área do eno-agro-turismo.

WineCode é ENOCULTURA ao alcance da sua mão.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A conta que talvez o setor não contou

Acreditamos seja consenso de todos que a aplicação do selo de controle fiscal para vinhos acarretará em aumento de custo. A Uvifam calcula que este custo poderá chegar ou superar o valor do preço mínimo da uva para as pequenas empresas e mesmo as empresas que tenham condições de automatizar a linha de produção deverão ter um gasto no mínimo de R$ 0,20 por unidade.

Quanto o setor deverá faturar para cobrir esta despesa?

Será que o incremento de faturamento do setor - proporcionado pela coibição do descaminho, sonegação e falsificação - será suficiente?

Como diz a propaganda, o mundo é de perguntas e não de respostas.

Mas vamos tentar responder e para isto é preciso estimar que haja a possibilidade de se selar 100 milhões de unidades de vinho nacional – entre garrafa, Pet, garrafão e bag-in-box - e que o custo médio da colocação do selo fiscal seja então de R$ 0,20 por unidade, isto representará uma despesa de R$ 20 milhões para o setor, excluindo impostos, comissões, despesas financeiras, administrativas, etc.

Vejam bem, uma despesa de R$ 20 milhões!

Dificilmente a implantação do selo fiscal proporcionará ao setor um faturamento que justifique o seu uso, pois a recuperação do investimento em maquinário, contratação de pessoal e a colocação do selo em si requer um faturamento muitas vezes maior haja vista que há, pelo menos, 50% de impostos no valor de cada unidade vendida.

Esta medida de controle fiscal talvez sirva apenas para o governo, mas não para a sociedade, pois o mesmo arrecadará ainda mais com a selagem dos importados e, lamentavelmente, não há pessoal suficiente para fiscalizar o nosso país continente, portanto, o resultado será inócuo.

Somente com um incremento de faturamento de R$ 100 milhões por ano fará valer a pena tal medida. Um faturamento deste montante significa estimar a venda de 10 milhões de unidades a um preço médio de R$ 10,00 a unidade, Oxalá isto seja possível, caso contrário todos sairão perdendo e só o governo terá vantagens.

Werner Schumacher

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Tem uva de graça na Festa da Uva

Em todas as edições da Festa da Uva de Caxias do Sul é comum a distribuição gratuita de cachos da fruta. Neste ano, no entanto, é muito importante esta ação, pois com o preço que estão pagando pela fruta, abaixo do mínimo de R$ 0,46, muitos agricultores caxienses devem ter sido beneficiados, uma vez que os organizadores estimam distribuir mais de 250 toneladas de uvas isabel, niágara branca e rosada.

Embora a distribuição gratuita possa ser um apelo para atrair maior público, pois o valor do ingresso R$ 7,00 durante a semana e R$ 10,00 nos fins de semana, mais do que paga o custo da fruta, mas isto não tira de forma alguma o mérito da ação.

Daqui pra frente precisaremos de muitas festas e muito público, para poder escoar a produção da fruta com dignidade para o produtor.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Falso Pinot Noir, um escândalo…

… francês ou americano?

Há pouco assistimos à denúncia de vinhos argentinos com o antibiótico natamicina e agora estamos diante de mais um grande escândalo: a venda entre 2006 e 2008 de mais de 13 milhões de litros de vinho da região de Languedoc-Roussillon tidos como Pinot Noir, mas na verdade um corte das variedades merlot e syrah.

Todo este vinho foi vendido para a empresa californiana E. & J. Gallo, nada mais, nada menos, que o maior produtor e engarrafador de vinhos do mundo. Para que tenham idéia, a produção desta empresa é duas vezes maior que a brasileira. Para visitá-la, é preciso percorrer o seu parque industrial com carro elétrico, como os utilizados nos campos de golfe.

Dizem que sequer a região francesa consegue produzir este volume do vinho Pinot Noir. Os diretores da cooperativa Sieur d'Arques foram condenados, no entanto, a imagem do vinho regional ficou manchada e, sem dúvida, redundará em sérios prejuízos para o comércio internacional de vinhos e a confiança dos consumidores.

Por outro lado, como pode a maior empresa do mundo deixar se enganar pelo produtor francês? A corporação não possui qualificação técnica suficiente para detectar se o vinho era da variedade Pinot Noir ou não? Como se comportará o consumidor daqui para frente?

O vinho importado pela Gallo era destinado para a linha Red Bicyclette, que inclusive destacava o estilo de vida francês e proveniente de uma região demarcada.

É, a venda de gato por lebre, ocorre em toda a parte e isto é muito ruim para o mundo do vinho, ambos os produtores são culpados por mais este triste caso.

Menos mal que novos movimentos vão surgindo para defender e garantir a qualidade dos vinhos produto da terra e do amor do homem a mesma, como é o caso do MOVI – Movimento de Vinhateiros Independentes, criado no Chile por 12 vinícolas que lutam contra uma indústria cada vez mais impessoal, dominada pela tecnologia e refém das leis de mercado, onde grandes conglomerados dividiam o espaço com endinheirados investidores, verdadeiros mecenas do vinho, este pequeno grupo de idealistas decidiu que era hora de fazer barulho. Veja mais em: (http://www.enoeventos.com.br/colunistas/lalas/lalas053.htm)

Parece que a UVIFAM não está sozinha nesta luta por produtos honestos e que revelem o amor pela terra e pela capacidade de extrair da mesma o que ela pode nos dar, produtos genuínos, culturais e históricos.

Menos nutritivos e saudáveis do que parecem

É fácil sermos vítimas das expectativas, e é também fácil explorá-las diante dos outros. Os publicitários também sabem disso, e suas propagandas têm o objetivo de criar e explorar as nossas expectativas.

Os néctares e refrescos são casos típicos deste abuso, os consumidores alimentam a expectativa que são de frutas, portanto, saudáveis, mas não o são, pois são menos nutritivos que os sucos naturais e integrais.

Os néctares possuem teores de suco de fruta entre 20 e 30%, portanto, os nutrientes de um suco integral são diluídos em até 5 vezes, ou seja, ao comprar uma garrafa de suco de uva integral você poderá diluí-lo em 4 ou 5 vezes que terá o mesmo valor nutritivo de um néctar. O valor do litro de um suco integral está em torno de R$ 6,00 e aquele de um néctar custa R$ 3,00. Diluindo-se 1 litro de suco integral com 3 litros de água, se obtém 4 litros, consequentemente o custo passa a ser de R$ 1,50, mas o consumidor prefere gastar o dobro com néctares provavelmente porque o gostinho dos conservantes, aromatizantes e do açúcar de cana adicionados devem torná-los muito mais saborosos.

O caso dos refrescos a diferença é uma verdadeira aberração, pois os teores de suco da fruta variam entre 2 e 10%, ou seja, o suco integral pode chegar a ser 50 vezes mais concentrado, logo, mais nutritivo e saudável.

Que dirá então dos sucos chamados em pó que tem 1% de fruta liofilizada (desidratada) e uma marca chegou a obter um certificado da Associação Brasileira de Pediatria de que estes produtos são vitamínicos, pela adição de vitamina C, aliás prática comum nos néctares como conservante e alguns também tem a cara de pau de dizer que são ricos em vitamina C.

O poder da publicidade e do marketing é tão grande que uma simples embalagem pode nos levar a crer (expectativa) que determinada bebida é tão saudável quanto à fruta in natura que originou o produto.

O IDEC - Instituto de Defesa do Consumidor, de São Paulo, realizou uma pesquisa com 12 desses produtos adquiridos em supermercados da capital paulista e constatou várias irregularidades: mostra que a maioria das marcas avaliadas de bebidas e néctar de frutas contém corantes, açúcar e conservantes em excesso.

O resultado mostra que as bebidas estão longe de ser tão saudáveis quanto os sucos das frutas.

Os néctares, geralmente vendidos em embalagens de 1 litro, são diluições açucaradas de sucos concentrados. Chegam a ter cerca de 100 gramas de açúcar por litro, o equivalente a dez colheres de sopa cheias - alerta a coordenadora da pesquisa Vera Barral. O excesso de açúcar causa prisão de ventre, dificulta a digestão e favorece a obesidade. Portanto, deve ser consumido com parcimônia.

Muitas bebidas contêm o corante tartrazina, que causa reações alérgicas como a asma brônquica, especialmente em pessoas alérgicas ao ácido acetil salicílico. Alguns deles, como os corantes tartrazina (INS102) e amaranto (INS123), e o conservante benzoato de sódio (INS211) são apontados como causadores de reações alérgicas e estão ligados ao aumento de distúrbios de atenção e hiperatividade infantil.

Como dito acima, outro dado que chamou a atenção do IDEC é que alguns produtos utilizam ácido ascórbico (a vitamina C) como conservante. O problema é que essa porção de vitamina C extra consta da tabela de informação nutricional, o que pode fazer o consumidor acreditar que aquela bebida é saudável. Três sucos analisados trazem no rótulo apelos do tipo "rico em vitamina C".

Outro problema, além desses, é que a norma não obriga informar o teor de polpa de fruta nas embalagens, aliás, informações é outro quesito que as empresas pecam ao não informar corretamente o consumidor.

Parece até ficção: em um clássico episódio do seriado mexicano Chaves, o garoto que dá nome ao programa se entusiasma com seu novo empreendimento - uma barraca de sucos. E, ao vender um ao senhor Madruga, pergunta: "Qual você quer? O que parece de limão, é de groselha e tem gosto de tamarindo? O que parece de groselha, é de tamarindo, com sabor de limão? Ou o que parece de tamarindo, é de limão, com sabor de groselha?".

Extravagâncias à parte, o fato é que o mercado de "bebidas de frutas" experimentou crescimento vertiginoso nos últimos anos. Entre 2004 e 2008, a venda de néctares, por exemplo, aumentou nada menos que 68%. Os números são da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas (ABIR).

Por fim, o IDEC dá as seguintes DICAS:

Não consuma bebidas industrializadas de frutas regularmente, pois normalmente contêm aditivos e excesso de açúcar;

Se não tiver como fugir das bebidas industrializadas, prefira os sucos integrais, que não contêm conservantes, corantes aromatizantes e açúcares;

Após abertos, os sucos, néctares e refrescos devem ser mantidos sob refrigeração e consumidos no prazo indicado na embalagem; e se for estocar o produto, escolha um local escuro e fresco.

Para saber mais veja a pesquisa do IDEC em:

http://www.idec.org.br/rev_idec_texto_impressa.asp?pagina=1&ordem=1&id=1151

Esteja atento, portanto, na hora da compra desses produtos, não compre gato por lebre.

Werner Schumacher

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Éramos “O” exemplo, agora...

...parece que estamos na contramão da história. No início do século passado muitos agricultores se uniram em cooperativas para escoar a sua produção de uva e elaborar o seu próprio vinho. A cooperativa Forqueta completou 100 anos em 2009 e junto com as demais detinham mais de 65% da produção de vinho do Estado, mas hoje não chegam a 25%.

O conceito de cooperativismo está hoje deturpado, não é mais sinônimo de união, quando um grupo social com o objetivo de desempenhar, em benefício comum, junta-se para exercer determinada atividade econômica, pelo menos é o que aparenta aqui na Serra Gaúcha, pois basta falar a palavra cooperativa e todos correm. Alguns agricultores chegam ao ponto de dizer que ainda estão associados à determinada cooperativa por causa do plano de saúde, pois está doente devido às aplicações de agrotóxico e com problemas musculares devido ao esforço repetitivo em suas atividades.

Com a “deterioração” do cooperativismo na nossa região, muitas oportunidades estão sendo perdidas. Dizem que uma empresa do Rio de Janeiro está se instalando no município de Flores da Cunha para produzir 10 milhões de litros de suco de uva integral. É sabido que o poder hoje está na mão de quem distribui o produto no mercado, ou como gostam de dizer modernamente, tem a logística, portanto, não basta produzir. Mas isto não impede de que em forma associativa se tenha tanta competência quanto qualquer grande fabricante, já que a distribuição está na mão dos atacadistas.

Esta empresa fluminense está vindo competir em um território e mercado dominado até há poucos anos praticamente pelas cooperativas.

Esta seria uma oportunidade excelente para a nossa agricultura familiar, que por falta de conhecimento não está atenta a estes movimentos e provavelmente pela ausência de entidades que apontem caminhos para ela.

Todos parecem esquecer que mais de 200 milhões de quilos de uva deixaram de ter colocação na indústria ao longo das últimas décadas pelas leis de regulamentação da fraude, ou seja, aprovaram o “conhaque” de gengibre, o “vermute” sem vinho, o “vinagre” com apenas 10% de origem vínica e, ultimamente, as sangrias, coquetéis, etc.

Como bem disse o amigo Rinaldo Dal Pizzol, até meados no século passado a elaboração de vinhos para consumo só era possível com uvas que apresentassem mais de 16 graus, as inferiores eram destinadas para destilação, base vermute ou vinagre. Aqui, portanto, está um forte golpe aplicado no produtor de uvas e, porque não dizer, na qualidade do nosso vinho, que passou a depender do açúcar de cana.

Os nordestinos parecem estar dando exemplo do novo cooperativismo para a agricultura familiar, basta ver as pequenas cooperativas que criaram para o beneficiamento da castanha de caju. Todos sabem que a fruta é abundante no nordeste, que dura no máximo 48 horas depois de colhida e o seu aproveitamento maior é mesmo a castanha. Milhares de quilos eram postos fora anualmente. Uma empresa do Ceará, inclusive, há muitos anos vem produzindo “vinho” de caju para compor bebidas mistas e fortificantes no lugar do verdadeiro vinho.

Pois bem, somente em 2004, foram produzidas 183 mil toneladas, gerando exportações apenas para a Europa equivalentes a US$ 186 milhões. A fim de aproveitar esse potencial brasileiro, a Fundação Banco do Brasil, o Sebrae, a Embrapa e a Telemar estão investindo no processo agroindustrial do caju, com o beneficiamento de castanhas e polpas. 400 produtores rurais reuniram-se para celebrar mais uma conquista no processo de beneficiamento e comercialização de castanha: a criação da central de exportação da Coopercaju - Cooperativa dos Beneficiadores Artesanais de Castanha-de-Caju do Rio Grande do Norte, que conta ainda com minifábricas de beneficiamento da castanha localizadas nos municípios de Caraúbas (Mirandas), Apodi (Córrego) e Portalegre.

Na ocasião da inauguração, o presidente da Coopercaju, Dedé Vaqueiro, fez uma animada saudação: “Nós, produtores, nunca devemos esquecer esse momento. Temos força de vontade e coragem de trabalhar. Além disso, fizemos boas parcerias com pessoas certas e órgãos respeitados em todo o Brasil”.

Parece que carecemos de um Dedé Vaqueiro por estas bandas.

Outro bom exemplo nordestino é a criação do consórcio – outra forma associativa - Asca- Associação Sertaneja de Caprinocultores. Sem recursos, a associação nasceu cheia de sonhos, mas nenhuma cabra. Era um grupo de criadores de caprinos que não tinha cabra para criar. A única capacitação era a participação de um curso de bovinocultura leiteira, no entanto, viram que no lugar de uma vaca é possível criar dez cabras e o que come uma vaca serve para alimentar dez cabras. Começaram a economizar e em um ano conseguiram comprar 140 cabras e cada criador recebeu os animais de acordo com o seu investimento. Então receberam orientação técnica para o manejo de caprinos pelo Sebrae, mas viram que havia certo preconceito em relação ao leite de cabra, criaram então o bode móvel, um carro que circula pelos municípios para divulgar o produto com a participação de um veterinário. O leite processado no laticínio é comercializado num único ponto de venda: o ponto do bode. Lá tem iogurte, doce de leite e queijos de vários tipos... Ao lado do ponto do bode, o novo investimento da associação: um laticínio maior e dentro dos padrões de higiene.

Existem muitos Romualdos no Nordeste. Jovens que deixam sua terra em busca de uma vida melhor. Mas a peça, encenada pelo Grupo Raízes nordestinas, surgiu pra divulgar uma história real de sucesso, o caso de um grupo de produtores rurais que investiu na criação de cabras. Romualdo volta ao sertão quando vê a possibilidade de viver da criação de cabras. Para os criadores do consórcio do bode, esta oportunidade pode trazer gente de volta e, principalmente, evitar que muitos saiam.
“Me chamam de Rogério da Cabra. Me orgulha porque é um animal tão resistente como o nordestino”, diz um criador.

Parece que carecemos também de um Rogério da Cabra por aqui e de um grupo teatral que mostre o quão importante e resistente é a nossa agricultura familiar para a região, por esta razão, a importância de evitar que muitos saiam do meio rural.

Não se deve fazer apologia ao passado, mas era comum na região a repartição da carne de um boi ou porco entre as famílias de uma comunidade, bem como, a colheita da uva era feita em mutirão, hoje, no entanto, é preciso contratar mão de obra externa, vindas de outros municípios.

No município de Alterosa, em Minas Gerais, que já teve mais de 500 hectares cultivados com arroz, hoje em torno de 100, é uma tradição de mais de 100 anos a formação de um mutirão para a colheita do grão. No final da tarde, após a lida na roça agricultores se reúnem para a colheita, desta vez, de um terreno dentro da cidade. De acordo com Antônio Gomes, de 78 anos, que aprendeu com o pai e o avô, é uma cultura que o agricultor lida com a safra de arroz de forma que deixa de ser apenas um trabalho braçal. Já o agricultor Adão Cabral diz: “É improvisado. A gente vai cantando conforme a gente vai recordando e achando bonitas as músicas. A gente vai lembrando e fazendo versos”. No final do serviço, a sensação é de dever cumprido. Em gratidão, o dono da lavoura oferece um lanche para toda turma. Tudo acaba em confraternização. “Não é serviço. É só uma reunião para marcar presença das coisas antigas. É uma tradição que não pode acabar de jeito nenhum”, falou o agricultor Joaquim Cândido Ribeiro.

Em uma região cuja vocação é o turismo, mutirões com breves filós ao final do dia poderiam ser uma bela alternativa para aqueles que atuam no enoturismo.

A situação da nossa agricultura familiar é extremamente complexa, tais como: envelhecimento e masculinização da população rural, dificuldade de escoamento da produção com preços justos, falta de boas estradas, etc. Não serão exemplos como estes que resolverão os nossos problemas, mas sem dúvida são alternativas capazes de dar sustentabilidade e viabilidade as nossas pequenas propriedades rurais.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

SUSTENTABILIDADE E VIABILIDADE DA AGRICULTURA FAMILIAR

De 22 a 24 de janeiro próximos ocorrerá o

I FORUM SOCIAL MUNDIAL DA SERRA GAÚCHA

e um dos temas a serem tratados será a

SUSTENTABILIDADE E VIABILIDADE DA AGRICULTURA FAMILIAR

Este eixo busca questionar o atual modelo de desenvolvimento agrícola praticado em toda a Serra Gaúcha que vem demonstrando sinais de esgotamento, pois entra ano e sai ano o agricultor sai de uma crise para entrar noutra, em outras palavras, apenas sobrevive.

No caso específico da viticultura, não é mais possível depender apenas do preço mínimo da uva. Também, constata-se uma dependência cada vez maior de adubação e tratamentos químicos, encarecendo a produção e comprometendo não apenas a saúde dos produtores como aquela ambiental.

Portanto, é preciso pensar novos modelos que possam social, cultural, ambiental e economicamente dar sustentabilidade a nossa agricultura familiar sob pena de fragilizá-la cada vez mais e isto não é bom para ninguém, afinal, 70% ou mais dos alimentos que vão para a mesa dos brasileiros são originários desta fonte de produção.

A característica fundamental da agricultura familiar da Serra Gaúcha é a pequena propriedade e mostraremos as políticas públicas existentes para atender este segmento da economia brasileira através de representante do MDA Ministério de Desenvolvimento Agrário aqui no Rio Grande do Sul. Neste tema poderemos apresentar sugestões de modo que elas tornem mais acessíveis ao produtor e que venham acompanhadas de extensão rural, sem a qual financiamento, por mais “barato” que seja, não ajuda muito.

Por outro lado, diante dos atuais problemas ambientais, oriundos do atual modelo existente, discutiremos as possibilidades da agroecologia para a produção de hortaliças e frutíferas, mas também seus aspectos legais e contaremos com o depoimento de produtores orgânicos que encontraram nesta atividade uma alternativa para a sustentabilidade de suas propriedades, uma clara demonstração de que outro modelo é possível.

Por fim, discutiremos o nosso futuro como produtores familiares através de novas perspectivas, que possam de fato viabilizar a agricultura familiar de modo mais perene e estável, não dependente apenas de poucas culturas, mas de uma melhor distribuição e pelo aproveitamento do turismo rural.

Abaixo segue a programação, contamos com a sua presença.

Abraços

Werner Schumacher

PROGRAMAÇÃO - 23/01/10

TARDE

Mediador:
Diogo Guerra

13h 30min: Nilton Pinho de Bem – MDA Tema: Políticas Públicas para a Agricultura Familiar.
14h 30min: Luiz Carlos Rupp (Pida) e André Luiz Rodrigues Gonçalves – Centro Ecológico de Ipê Tema: Agroecologia : uma alternativa para a Agricultura Familiar.
15h 15 min: Gilmar Bellé – AECIA Tema: Experiências dos Pioneiros: um novo modelo é possível.
15h 50 min - INTERVALO
16h00min: Rogério Dalló – Secretário Geral da COLACOT Tema: Perspectivas de Sustentabilidade da Agricultura Familiar.
16h 45min: abertura para plenário conforme inscrições ou por escrito
17h 30min: Sistematização dos assuntos abordados no Eixo/encaminhamentos
18h: Encerramento das atividades do dia.

Local: Ginásio de Esportes de Bento Gonçalves, próximo ao Hotel Dall'Onder

PROGRAMAÇÃO - 24/01/10:

MANHÃ:

8h: Programação Cultural: Exposição Fotográfica sobre o Meio Ambiente – Registro de algumas ações da ABEPAN e distribuição de mudas de árvores.

9h -11h30min: Oficina I – 45 participantes –– Visita técnica à propriedades de Agricultura Familiar Orgânica (Hortaliças) – Propriedade de Ronaldo Fardo (Garibaldi). Monitor: Leandro Venturim Centro Ecológico de Ipê.

9h -11h 30min: Oficina II – 45 participantes - Visita técnica à propriedades de Agricultura Familiar Orgânica (Fruticultura) – Propriedade de Jorge Mariani (Garibaldi). Monitor: Luis Carlos Rupp (Pida).

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES
fsmserra@yahoo.com.br
www.fsmserragaucha.com.br