segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Falso Pinot Noir, um escândalo…

… francês ou americano?

Há pouco assistimos à denúncia de vinhos argentinos com o antibiótico natamicina e agora estamos diante de mais um grande escândalo: a venda entre 2006 e 2008 de mais de 13 milhões de litros de vinho da região de Languedoc-Roussillon tidos como Pinot Noir, mas na verdade um corte das variedades merlot e syrah.

Todo este vinho foi vendido para a empresa californiana E. & J. Gallo, nada mais, nada menos, que o maior produtor e engarrafador de vinhos do mundo. Para que tenham idéia, a produção desta empresa é duas vezes maior que a brasileira. Para visitá-la, é preciso percorrer o seu parque industrial com carro elétrico, como os utilizados nos campos de golfe.

Dizem que sequer a região francesa consegue produzir este volume do vinho Pinot Noir. Os diretores da cooperativa Sieur d'Arques foram condenados, no entanto, a imagem do vinho regional ficou manchada e, sem dúvida, redundará em sérios prejuízos para o comércio internacional de vinhos e a confiança dos consumidores.

Por outro lado, como pode a maior empresa do mundo deixar se enganar pelo produtor francês? A corporação não possui qualificação técnica suficiente para detectar se o vinho era da variedade Pinot Noir ou não? Como se comportará o consumidor daqui para frente?

O vinho importado pela Gallo era destinado para a linha Red Bicyclette, que inclusive destacava o estilo de vida francês e proveniente de uma região demarcada.

É, a venda de gato por lebre, ocorre em toda a parte e isto é muito ruim para o mundo do vinho, ambos os produtores são culpados por mais este triste caso.

Menos mal que novos movimentos vão surgindo para defender e garantir a qualidade dos vinhos produto da terra e do amor do homem a mesma, como é o caso do MOVI – Movimento de Vinhateiros Independentes, criado no Chile por 12 vinícolas que lutam contra uma indústria cada vez mais impessoal, dominada pela tecnologia e refém das leis de mercado, onde grandes conglomerados dividiam o espaço com endinheirados investidores, verdadeiros mecenas do vinho, este pequeno grupo de idealistas decidiu que era hora de fazer barulho. Veja mais em: (http://www.enoeventos.com.br/colunistas/lalas/lalas053.htm)

Parece que a UVIFAM não está sozinha nesta luta por produtos honestos e que revelem o amor pela terra e pela capacidade de extrair da mesma o que ela pode nos dar, produtos genuínos, culturais e históricos.

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