sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A sua cantina poderá ser a próxima a desaparecer

Apenas três, vejam bem, três entre cem empresas familiares conseguem chegar a 3ª geração. Isto significa dizer: quando não quebra com o(s) fundador(es), quebra na 2ª geração, ou seja, com o(s) filho(s) do(s) fundador(es).

Você deseja este futuro para a sua cantina?

Não sendo este o seu caso, está na hora de começar a pensar.

A uma falsa expectativa de que as empresas vinícolas são perenes – para sempre – no entanto, basta olharmos um pouco para trás e veremos que isto não é verdade. Muitas das nossas importantes vinícolas familiares ou quebraram, ou fecharam, ou foram compradas.

Quem não se lembra da Dreher, da Mosele, da Luiz Antunes, da Mônaco, da Michelon, da Vinícola Riograndense, da Georges Aubert, da Peterlongo, da Beltrame e tantas outras. Das cantinas familiares que estão na 3ª geração, parece restar apenas a Salton.

Isto ocorre porque as empresas familiares não se preocupam com o futuro, ou seja, com a sucessão. Apenas 5% se preocupam com isto, pois está enrustido no fundador o desejo de mandar até que a morte o leve e a existência de certo receio do sucessor em buscar o comando, para não ferir os brios do pai.

O fundador precisa ter presente que o seu sucessor deve estar no comando lá pelos 35 ou 40 anos, caso contrário será sempre – para os funcionários - o chefinho e isto não é saudável para todos. Assim, aqueles que são candidatos a sucessor cabem refletir sobre a hora de casar, ter filhos, etc. e calcular isto de acordo com o momento de suas vidas em que desejarão parar de trabalhar.

Uma sucessão não é tarefa fácil, vejam ao caso do grupo Gerdau cujo processo durou anos, ou o caso das Lojas Colombo, em que a dificuldade de sucessão é grande.

Cabe ressaltar que empresas como Mouton Rothschild, Antinori, Miguel Torres, Veja-Sicilia, entre outras, formaram uma associação para defender as vinícolas, seu patrimônio e os valores familiares. Veja mais em: www.pfv.org.

Por outro lado, o empreendedorismo é necessário para a vida de qualquer pessoa em qualquer atividade. As mudanças nas profissões e nas nossas vidas são freqüentes e cada vez mais com incrível rapidez. Todos devem estar preparados para isto e desenvolver a capacidade de empreender é o melhor que os pais podem dar para os seus filhos e para isto não basta a melhor formação escolar possível.

Também, assistimos diariamente fusões e incorporações de empresas. Menos de 0,5% das empresas de refrigerantes que disputam o mercado brasileiro detêm 80% deste. No caso dos vinhos finos, 80% do mercado estão nas mãos de apenas três empresas.

Vivemos em um mundo globalizado e estamos sujeitos a tudo. A grande maioria das vinte maiores empresas vinícolas argentinas são multinacionais. No Brasil, resta apenas a multinacional Chandon operando no nosso mercado, todas as outras deixaram o mercado. Qual a razão?

Talvez porque seja mais em conta produzir lá fora e exportar para o nosso mercado. Isto demonstra a necessidade de ser competitivo e como o seremos se não formarmos os nossos sucessores, já que a grande maioria das nossas empresas são familiares, até as cooperativas, pode-se dizer são familiares, afinal é uma união de muitas destas.

Com o Plano Visão 2025 engavetado, nosso futuro – aquele das famílias da Serra Gaúcha - não será dos melhores. Mas o Ibravin parece ter entendido que se faz necessário atuar sobre as empresas e famílias, profissionalizando-as, antes de poder por em prática o plano estratégico.

É preciso entender que há conflito entre os interesses das famílias e aqueles das empresas e isto pode e deve ser trabalhado. Para tanto, o Ibravin fez uma parceria com a Fundação Dom Cabral, uma das melhores do mundo, é a 16ª melhor escola de negócios do mundo pelo ranking 2008 do renomado jornal inglês Financial Times.

A Fundação Dom Cabral tem parceria com escolas similares em todo o mundo e, em especial modo para o nosso caso, com uma escola francesa, quem sabe não encontraríamos aqui algumas explicações pelo fato de vinícolas francesas serem centenárias.

É uma excelente oportunidade para as nossas cantinas buscarem soluções para os seus problemas, conflitos e melhor se prepararem para o futuro. Infelizmente, nem 20 empresas, entre as mais de 700 existentes, participaram das reuniões promovidas pelo Ibravin e a Fundação Dom Cabral.

Pai Patrão! Não espere os 90 anos para chamar o seu sucessor de 60 anos para assumir o comando da empresa. Comece a pensar agora, antes que seja tarde demais. Filhos de Patrão! Não fiquem parados, comecem a pensar também

Werner Schumacher
Economista

PS: NÃO SELO FISCAL QUE AJUDE CONTRA ESTA REALIDADE.

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