A venda de vinhos de janeiro a outubro deste ano aumentou quase 13% em relação ao mesmo período do ano passado e isto se deve – em parte – a publicidade e ações do Ibravin nacionalmente.
Deve-se dizer em parte, pois em recente matéria divulgada no jornal Pioneiro, foi atribuído ao aumento da venda de vinhos a adoção do selo de controle fiscal para sangrias, coquetéis, etc.
No entanto, nesta reportagem publicada em 28/11/09, não consta qualquer referência se as vendas desses produtos caíram, aumentaram ou se mantiveram estáveis. Também, não informa que o principal fabricante destes produtos, uma empresa do Rio de Janeiro, está desobrigada, por força de uma liminar, de usar o selo fiscal.
Por principal produtor, entende-se hoje, com parcela importante do mercado. Podemos citar como exemplo o fato de menos de 0,5% dos fabricantes de refrigerante brasileiros dominarem 80% do mercado, ou o fato de que 3 vinícolas brasileiras dominam quase 80% do mercado de vinhos finos, desconsiderando os importados.
Voltando ao investimento nas campanhas do Ibravim, que felizmente contribuiu para o aumento das vendas, deve-se questionar sobre o principal problema hoje da cadeia vitivinícola nacional, que é o excesso de oferta de uva e a dificuldade dos produtores de receber um preço justo pela fruta e a garantia do seu pagamento.
Praticamente, sem ou quase nada de investimento publicitário e promocional, a venda de suco de uva aumentou 41% no mesmo período e de acordo com informações veiculadas na mídia local, vem crescendo 40% ao ano desde 2005. Dizem que 45% da uva produzida no Estado em 2009 foram destinadas para sucos.
É, no mínimo curioso, o fato de se estar crescendo em média a 40% ao ano e isto não chamar a atenção das nossas lideranças, como sendo a salvação para a maioria dos produtores rurais.
Infelizmente, o setor não pensa como a Coca-Cola, que pretende dobrar de tamanho até 2014 e para isto precisa crescer 14% ao ano. Isto não é tarefa fácil, já que sozinha a corporação ja faz cada brasileiro consumir anualmente 50 litros dos seus produtos (refrigerantes, “sucos” e chás).
O consumo de sucos no Brasil é baixo e um aumento pequeno de consumo, nem meio litro, seria suficiente para dobrar a nossa produção de sucos. Ora! Crescendo 40% ao ano e, persistindo esta taxa de crescimento, para 2014 a nossa produção deverá setuplicar (aumentar 7 vezes).
A indústria conseguindo atender este potencial de demanda, pode significar que em 2011 faltará uva para sucos e por esta razão se faz necessária indagar quais serão os reflexos disto:
- o preço da uva para sucos aumentará e muito Cabernet, Merlot, etc., será misturado as uvas de mesa, consequentemente, o preço será superior ao mínimo e o pagamento deverá ser feito a vista, pois o produtor está cansado de levar calote;
- vinhedos de viníferas serão substituídos por aqueles de uva de mesa, menos trabalhoso e com custo de produção substancialmente mais baixo. Provavelmente, vinhos finos será privilégio de quem tem vinhedos próprios. Principalmente, se o Real continuar apreciado, a moeda mais sobrevalorizada do planeta;
- as indústrias “brasileiras” pedirão ao governo para importar mosto concentrado a fim de misturar com os nossos e produzir suco diluído. Este suco acabará estragando a imagem do suco natural e integral, provocando nova crise.
Para não se alongar, isto é previsível por uma simples razão, o setor não tem visão de futuro e não sabe planejar como a Coca-Cola. Não sabe ler as suas estatísticas e fazer projeções, enfim, é pouco profissionalizado.
Aliás, cabe lembrar que o Plano Visão 2025 está engavetado, embora não previa este expressivo aumento na venda de sucos, mais, não deu a devida importância a este produto.
Por fim, cabe ressaltar que as vendas de espumantes aumentaram quase 15%, mesmo com praticamente nada de ações promocionais. Vale o comentário, ontem veiculou publicidade de um espumante brasileiro cuja paisagem retrata os Alpes Suíços, o que isto tem a ver com nós?
Prefere-se investir na imagem de um produto pouco competitivo, a solucionar o problema de milhares de famílias produtoras de uva. É, parece que o nosso foco está equivocado.
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