Por Werner Schumacher - Economista
Só um milagre elevaria a cotação do dólar para R$ 2,60 e assim salvaria boa parte da indústria nacional que está sufocada com a atual cotação da moeda norte-americana, pois não consegue por esta razão ser competitiva globalmente. Mas como um milagre só ocorre por ação divina, resta apenas aos nossos industriais rezar.
Na mitologia econômica tínhamos apenas o Deus Mercado, já que este determina tudo. Atua como o Deus das religiões, ou seja, interfere nas nossas vidas sem ser visto. Sabemos que existe, mas não podemos provar e acreditamos piamente Nele. Há alguns ateus, mas estes são a minoria.
É da natureza humana precisar de heróis e deuses, daí a forte presença da mitologia econômica atualmente na nossa sociedade.
Mas o Deus Mercado está perdendo forças, vem demonstrando ser extremamente injusto socialmente e a mitologia econômica está tomando os rumos daquela grega. Um dos principais pregadores do novo Deus Banco é Lloyd Blankfein, o presidente do banco Goldman Sachs, que ao ser criticado em função dos altos bônus pagos a executivos, em entrevista ao jornal londrino “Sunday Times”, disse que os bancos têm uma “proposta social” e estão fazendo “o trabalho de Deus”.
Lloyd Blankfein ainda acrescentou que os grandes lucros e, consequentemente, os altos bônus distribuídos a executivos, sinalizam que a economia mundial está se recuperando e que ajudamos empresas a crescerem. Elas crescem e criam riqueza. Isso, em troca, permite que as pessoas tenham empregos e criem mais crescimento e riqueza. Temos uma proposta social — afirmou.
Isto está provocando uma Guerra Divina entre aqueles que desejam um Real forte, hoje defendido pelo Deus Mercado, pois Este manda investir maciçamente no Brasil, finalmente, chegou à hora do país do futuro. Por outro lado, o Deus Banco, representado pelo Goldman Sachs diz que a cotação do dólar de equilíbrio para o Brasil deveria ser R$ 2,60, enchendo de esperança os produtores e exportadores brasileiros por este apoio divino.
Até voltarmos ao monoteísmo econômico, com apenas um Deus e justo socialmente, muitos outros deuses irão surgir, como o Deus Consumo, filho do Deus Mercado, portanto, guerras sangrentas serão travadas em virtude da forte adoração da nossa civilização ao material e ao excesso de individualismo.
Como essas guerras são de ordem divina, deixemos aos Deuses resolvê-las.
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