Em economia se costuma dizer que há uma falha de mercado quando o mesmo não consegue ser eficiente. Igualmente, ser eficiente é quando uma economia usa todas as oportunidades de mercado para melhorar a situação de alguns sem piorar àquela de outros.
Nem sempre na eficiência há também justiça e equidade.
Na realidade, esta análise é feita apenas do ponto de vista da oferta e da procura, ou seja, do mercado e em relação a aqueles ganham ou perdem ora produtores, ora consumidores.
Sobre este aspecto não aparece haver no mercado brasileiro de vinhos uma falha de mercado, pois vendedores e consumidores parecem estar satisfeitos com a oferta e a demanda de produtos, sob o ponto de vista exclusivamente de mercado.
No entanto, diversos são os atores que atuam neste mercado e, aqueles verde e amarelo, parecem ser os perdedores. Isto seria por ineficiência do mercado ou por parte de seus atores?
Parte dos vendedores produtores de vinho parece estar perdendo, pois solicitaram a intervenção do Governo e isto só deve ocorrer quando há falha de mercado, portanto, é um reconhecimento que estão perdendo, não vindo ao caso agora se por incompetência ou não, pela solicitação de adoção do sistema de controle fiscal através do uso de selo no fechamento da garrafa.
Os prejudicados, alegam que importações “ilegais” são realizadas em nosso país e a entrada pela extensa área de fronteira do país, via descaminho, de montante razoável de vinhos a ponto de ambos problemas provocarem uma concorrência desleal e predatória e ameaçadora para a indústria nacional. Diga-se, de passagem, até hoje não desempregou ninguém.
Os vendedores que parecem estar ganhando, os importadores, são contrários a esta adoção, que representaria mais custos para eles, consequentemente, pela ótica capitalista, menos lucro e, assim, através de boa parte dos formadores de opinião estão jogando o consumidor contra o produtor brasileiro, pois este custo será repassado a quem?
Vários são os formadores de opinião que já se manifestaram a respeito e, por efeito cascata, uma torrente crescente de consumidores vem se manifestando contrariadamente ao selo e, por tabela, ao vinho brasileiro, leia-se produtores.
O tiro vai sair pela culatra.
Os grandes produtores estrangeiros de vinho não estão nem aí para o problema, afinal, o negócio deles é vender e, considerando o promissor mercado brasileiro - mais de 180 milhões de habitantes - farão o que for necessário para consolidarem a sua presença aqui, custe o que custar.
Eles também estão se aproveitando de estoques elevados e subsídios governamentais, mandando verdadeiras porcarias, ao abrigo da lei brasileira. Há produtos produzidos exclusivamente para o mercado brasileiro. Contam ainda, com uma mãozinha nossa, a política cambial suicida.
Por outro lado, há a intervenção do Governo no mercado pela prática de preços mínimos e algumas empresas são obrigadas a se valer deste, pois dependem de financiamentos do Governo para poder honrar seus compromissos com seus associados, o que os torna menos competitivos no mercado.
Outra parcela de vendedores produtores se aproveita da situação e praticam preços muito abaixo daquele determinado pelo Governo, as vezes por menos da metade do preço tabelado, hoje R$ 0,46/kg de uva comum. Aumentando ainda a concorrência predatória.
Para completar, a legislação brasileira permite a fabricação de verdadeiros absurdos, como são as bebidas a base de vinho: sangria, coquetel, cooler, etc., que muitas vezes confundem o consumidor levando-os a acreditar que estão bebendo vinho, mas o que mais contêm é açúcar e álcool de cana com corantes e aromatizantes.
Não há em si uma falha de mercado, mas a constatação de muita injustiça e a falta de equidade é enorme, principalmente, quando sabemos que o maior prejudicado é o produtor de uva, sem a qual não se faz vinho, daí a expansão de loteamentos sobre o meio rural da Serra Gaúcha, entre outras perdas lastimáveis.
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