É bastante perceptível na vida moderna o quanto é preciso lutar para defender direitos, quanto tempo é despendido com coisas que deveriam fluir normalmente, para que as atividades pudessem ser realizadas sem maiores atropelos.
O Brasil é o país dos bombeiros, isto é, só apaga fogo que os outros ateiam.
Muitas vezes é falha dos próprios interessados, afinal, neste mundo apressado é preciso dar prioridade ao “prioritário”, ao que dá dinheiro e assim por diante, deixa-se de lado outras questões, principalmente, aquelas de caráter humanitário.
No entanto, a grande maioria é provocada por burocratas, políticos ou pessoas que não estão diretamente ligadas às atividades comerciais, industriais, agrícolas ou de serviços.
O setor vinícola brasileiro parece ser o campeão de idas e vindas.
Assistimos esta semana o desenrolar do caso Vale dos Vinhedos, que até São Pedro resolveu interferir, mandando mais chuva do que o necessário. Quem sabe é um aviso para reservar parte dela, pois uma safra como a de 2005 pode estar se aproximando, como me alertou o “motor-homiano” Bercht em passeio pelo Vale, mas provavelmente por estarmos envolvido com isto ou aquilo, ninguém será previdente o suficiente.
Outro assunto na baila é o caso do Selo Fiscal, envolvendo entidades e mais entidades, menos a maioria das vinícolas, deputados e senadores, a Receita Federal e, por incrível que possa parecer, até a Casa Civil, quando o assunto é eminente técnico e pertinente a Receita Federal.
Sinceramente, difícil de entender, mesmo porque estamos entrando em um ano eleitoral e assuntos polêmicos não combinam com políticos.
Pois bem, não necessariamente a cerveja é um concorrente direto do vinho. Afinal é uma bebida sem tantas normas, aliás, no Brasil, ao contrário da Alemanha, é consumida “estupidamente” gelada. Já o vinho deve seguir todos os rituais, provavelmente, criados na França. Quando não há aqueles do novo mundo, como o de Gabriel Garcia Márquez, em 100 Anos de Solidão, que vinho tinto é pra tomar de noite e branco de dia.
Pois bem, na virada de 1999 para 2000 a Brahma lançou uma cerveja com garrafa similar a uma de espumante e rolha ao estilo. Lembro bem, pois a rolha era Alltec, uma empresa francesa que representei. Seguiram mais algum tempo com o produto e não sei se o tiraram de linha (descontinuaram; como gostam de dizer os marketeiros).
Este é um avanço no sentido de elevar a cerveja ao estilo de consumir espumantes, mesmo que apenas no fim de ano, afinal, esta ainda é a forma de maior consumo do produto, mas devemos recordar que a maioria só o faz por causa do estouro, pois até filtrado doce, sidra, etc. nesta hora é champanhe mesmo.
Gastronomicamente, no entanto, o consumo de cerveja era obrigatório para acompanhar sanduíches abertos, empadinhas, bolinhos de bacalhau, picles, salsicha com chucrute e muita mostarda e assim por diante. Não havia maiores preocupações de harmonização.
Mas as micro-cervejarias foram chegando e novas cervejas começaram a surgir no mercado, algumas mais encorpadas, outras produzidas dentro da lei de pureza e assim vai.
Hoje, há casas especializadas em cervejas, como uma “Birroteca” que visitei na Itália, há uns 20 anos no mínimo, tinha Brahma e Antártica. Lá provei uma cerveja belga deliciosa, fermentada na garrafa como espumante. Aqui também já há este tipo de produto. Ah! pra quem não sabe cerveja em italiano é birra.
Estas casas já estão oferecendo menus gastronômicos harmonizando cervejas e pratos, com cardápios bastante instrutivos e interessantes, seguramente, trazendo um pouco do mundo do vinho e roubando o consumo deste.
Tudo isto porque passamos a maior parte do tempo lutando e brigando. Basta comparar o que sai na imprensa sobre a indústria cervejeira e o que sai sobre a do vinho. A primeira, ampliações, no estilo de cerveja para o nordeste brasileiro, fulano comprou sicrano, enquanto as notícias do vinho são aquelas de loteamento no Vale dos Vinhedos, Selo Fiscal para vinhos, invasão de importados, produtores de uva não receberam a safra ainda e cosi via...
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