terça-feira, 4 de agosto de 2009

O que querem os pequenos produtores de uva e vinho

Por Werner Schumacher*

Chamamos de UVIFAM o movimento de pequenos produtores de uva, vinho e seus derivados que surgiu, que como eu se sente fortemente ameaçado por uma política tributária injusta e acrescida de imposições burocráticas como o Selo Fiscal, o novo zoneamento agrícola, bem como exigências que inviabilizam a sua continuidade e ou legalização.

Diante da evidência destes problemas, em conversa com companheiros, passamos a ver que a dificuldade é geral em toda a agricultura familiar e, por esta razão, nos tornamos um movimento de simpatizantes a esta causa, voltados para a busca de um desenvolvimento local endógeno sustentável, com interesse nas áreas humana, social, cultural, econômica e ambiental.

No fundo, é um grupo de pessoas que acreditam que um outro mundo é possível.

Um mundo mais seguro e menos belicoso no mais amplo sentido destas palavras, de modo a proporcionar vida de qualidade aos seus cidadãos e preservar a Terra, a nossa verdadeira Pátria, das ameaças que se apresentam, tais como guerra nuclear, aquecimento global, fome e miséria humana em quase 1/5 da população mundial.

Diante desta visão filosófica, entende-se que o núcleo produtivo familiar é o principal instrumento que dispomos para a busca de uma vida ética e moralmente mais completa. Os pequenos produtores de uvas e vinhos são na verdade pequenas empresas e assim devem ser administradas.

As pequenas empresas são as que mais empregam em todo o mundo e, também, são as mais antigas. Normalmente está em jogo o nome da família e isto, por si só, bem demonstra o espírito ético que caracteriza tais empreendimentos.

Igualmente importante, é a questão educação. Nenhum país progride sem uma boa educação de base e formação dos seus cidadãos e o que assistimos é um sistema de ensino totalmente ineficiente em relação as principais causas que afetam a humanidade.

Não é possível promover o Desenvolvimento Sustentável sem educação e a manutenção da identidade, respeitando as características sociais, culturais, históricas e ambientais locais.

Para o sucesso deste empreendimento é fundamental a criação de uma Rede de apoio a estes produtores de modo a reduzir os custos de insumos, oferecer alternativas ambientalmente corretas e auxílio na comercialização de seus produtos. Uma produção social ética e solidária.

Para isto, torna-se necessário também o emprego de técnicas que se adaptem as características locais e aqui cabe ressaltar a importância que temos de uma extensão rural mais efetiva, pois é sabido o desperdício no uso de defensivos agrícolas, sempre acima do necessário, recomendado normalmente por especialistas contratados por empresas comerciais destes e outros produtos, prejudicando enormemente as finanças do produtor e o equilíbrio ecológico.

Na luta dos interesses dos pequenos produtores nos empenharemos em auxiliar todos contra qualquer lei, normatização, etc. que criem dificuldades para a atividade viti-vinícola e agrícola familiar, como por exemplo, o já citado Selo de Controle Fiscal.

Lutaremos também por um projeto de lei que permita a inclusão de todos os pequenos produtores, aqueles dos vinhos de porão, de modo a saírem da clandestinidade. Acreditamos, que pelo menos, 5 mil famílias das 16 mil que trabalham com uva na região produzem vinhos artesanais para consumo próprio e muitas delas estariam sem dúvidas interessadas e sair da clandestinidade.

No mundo inteiro há as vinícolas de garagem, porque não podemos ter aqui as de porão?

Não podemos mais aceitar impunemente decisões que prejudiquem a nossa atividade, como a decisão de se construir um presídio no roteiro turístico Caminhos de Pedra, bem como devemos evitar que a especulação imobiliária, como a ocorrida no Vale dos Vinhedos, prejudique seus moradores e os deixem à margem do desenvolvimento local.

Pretendemos realizar brevemente no município de Bento Gonçalves um amplo debate entre os produtores rurais para levantar os problemas que cada um enfrenta, precedido de um Fórum de Desenvolvimento Local Endógeno, onde tais produtores poderão constatar que há outras formas de produção e crescimento que não apenas essas hegemônicas que vem se mostrando ineficientes quanto a questão ambiental e de qualidade de vida do produtor.

O que buscamos vem ao encontro do que prega o MDA - Ministério de Desenvolvimento Agrário, ou seja, a partir de uma forte mobilização identificar os interesses regionais para um plano específico.

*Werner Schumacher é um pequeno produtor de uva e vinho no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, tendo sido presidente da ABE Associação Brasileira de Enologia e da APROVALE Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos, publica textos sobre o setor em seu blog: http://werner.schumacher.zip.net

Um comentário:

  1. Da mesma forma que vocês entendo que parte das soluções para o meio rural esta na agricultura familiar. Vejo a uva, o vinho e seus derivados como uma das formas de se manter as pequenas propriedades rurais. Como somos muitos e todos temos alguma experiência vamos trocar estas experiências e iniciativas empreeendedoras. Se este for o canal, me considere como participante.
    Geraldo A. Ratacheski
    vinhedodeolinto@gmail.com

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