segunda-feira, 8 de março de 2010

Fui ver, para crer

Fiz o teste São Tomé, fui ver na semana passada, para poder crer, e constatei in loco que o cacho na foto abaixo é mesmo desta safra. Quer mais? É produção orgânica, é mole!


Pergunte a qualquer vivente se ele viu safra igual a esta 2009/10, pode ter certeza que a resposta será: NUNCA! Não é possível afirmar, mas pode-se concluir que nos últimos 100 anos (não falei com nenhum com esta idade), muito provavelmente, ninguém neste período viu uma safra igual.

Há uva até com 7° Babo, fazer o que com ela não se sabe, mas a qualidade realmente está muito prejudicada pelo excesso de chuva que o São Pedro nos mandou e nem podemos ficar muito bravos com ele, afinal, ele mandou um terremoto pro Chile que fez perder mais de 200 milhões de litros que estavam estocados nas vinícolas e, provavelmente, haverá grandes dificuldades para se colocar a safra deste ano, que deve estar iniciando.

O sofrimento chileno é muitíssimo maior.

Mas o nosso problema é aqui. A uva da foto acima deu 16° Babo e o Pida e o Frá não me deixam mentir, eles estavam lá para conferir e quem quer ter certeza disto pergunte a Cooperativa Garibaldi que recebeu a vindima.


Este vinhedo está localizado em Cotiporã, na propriedade do agricultor Jorge Salton de Faria Lemos. Infelizmente, o fotografo é amador e só tirou uma foto com o agricultor e, pior: “discosta”, mas a mesma serve para muito bem ver o carinho que o produtor tem para com a fruta, a acaricia por ver o resultado do seu capricho.


A produção orgânica é uma bela alternativa para a agricultura familiar, de acordo com o Evandro, técnico agrícola da cooperativa, que estava lá no dia da nossa visita, o valor da uva orgânica tem sido o dobro daquela convencional e as empresas pagam o frete até o estabelecimento industrial.

Segundo informações colhidas neste dia, há uma demanda não atendida da indústria por mais de 5 (cinco) milhões de quilos de uva orgânica. Também, é crescente a demanda dos consumidores por produtos orgânicos.

A produção orgânica não é a única alternativa para o setor, mas o Jorge Salton, me disse que estava farto de tanta alergia, causada pela aplicação de defensivos agrícolas e que não via na agricultura convencional um respeito à terra e a natureza. A terra tem vida, não é uma natureza morta, como quer a indústria de fertilizantes, herbicidas e agrotóxicos.

Mas o Jorge Salton não é um monocultor, é produtor também de outras culturas, tais como: figo, caqui, goiaba, cítricos e inúmeras hortaliças, portanto, uma produção diversificada e, tem mais, o Salton é feirante.


O melhor de tudo é que os dois filhos jovens do Jorge Salton estão satisfeitos com as atividades rurais e não pretendem morar na cidade. A filha está estudando e a esposa parece não se queixar da vida que leva.

É um grande alento, dentro de tanto desânimo no meio rural.

Cabe, enfim, felicitar o Jorge Salton e a sua família pelo belo trabalho que estão fazendo e, principalmente, pelo exemplo que estão dando de que é possível produzir e lucrar, com respeito ao meio ambiente.

Nota MIL.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Sacola Plástica – Esclarecimentos

Cometemos um equívoco ao questionar a redução da alíquota do ICMS de 17% para 12% em relação às sacolas plásticas e copos descartáveis para venda dentro do Estado, cujo decreto foi sancionado pela governadora Yeda Crusius e que o vinho não estava contemplado com este benefício.

Tudo indica que fomos induzidos ao erro, já que na nota fiscal de venda consta 17%, mas por um mecanismo contábil 5% são creditados na apuração do imposto. Típica burocracia: pra que facilitar, se pode complicar.

No entanto, é importante ressaltar e deixar bem claro que isto ocorre desde 1989, quando a Lei 8820 foi sancionada pelo governador Pedro Simon.

De lá para cá, os estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Pernambuco concederam redução do ICMS e em alguns casos foi instituída a alíquota ZERO%.

Uma das principais causas do elevado preço dos vinhos brasileiros é a carga tributária: 50% ou mais do preço de venda. Na Argentina, por exemplo, algumas empresas investiram em vinhedos aplicando o valor do imposto devido, como forma de incentivo a viticultura. Isto aqui não ocorre e nem se cogita.

Na esfera federal, é difícil porque o presidente Lula declarou aos empresários que tiveram o prazer de jantar com ele no Copacabana Palace, no Rio, de que a carga tributária é “imexível”, pois o Brasil precisa ser um estado forte e este tem sido um dos motes da campanha da futura candidata Dilma Roussef.

Esperamos que este ESTADO FORTE, não signifique CIDADÃO FRACO, sem segurança, saúde e educação.

Portanto, parece ser o estado gaúcho o único a poder fazer qualquer coisa, já que outros estão fazendo. Pode que o setor não seja importante para a economia brasileira, mas é importante dentro do estado e, repetimos, os vizinhos estão fazendo guerra fiscal.

É importante lembrar que o espumante continua recolhendo 17%, salvo algum subterfúgio. Um produto que cresce 15% ao ano com muito pouca publicidade poderia ser uma importante alavanca de desenvolvimento para o setor e aumentar arrecadação pelo crescimento do volume vendido.

Talvez aqui falte um plano ambicioso do setor de se tornar um dos maiores produtores de espumantes do mundo, afinal, se qualitativamente estamos entre os melhores, embora distantes na produção, não seria tarefa difícil nos aproximar dos maiores.

Quanto às sacolas plásticas, este é, sobretudo, um problema a ser considerado sob o ponto de vista ambiental, portanto, deixemos para os especialistas desta área, mas cabe lembrar que o Carrefour anunciou que banirá as sacolas plásticas de suas redes em 4 anos e o governo norte-americano passou a obrigar a cobrança destas sacolas a fim de incentivar que o consumidor traga de casa a sua sacola e diminua o uso dos artigos descartáveis – normalmente, na natureza, afinal são o símbolo da poluição dos oceanos e da emissão de carbono.

Em não muito tempo, o motor da economia será o ambiente, mas tudo indica que o nosso governo está na contramão da história.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Seria o Pioneiro apenas caxiense e não regional?

Nos últimos dias, farto material foi publicado no jornal Pioneiro de Caxias do Sul lamentando a transferência da Cooperativa Vinícola Aliança para o município de Caxias do Sul, dando clara aparência de que a sua visão é apenas caxiense e não regional.

É sempre lamentável a perda de uma empresa para outro município, principalmente, quando isto ocorre dentro de uma mesma região, afinal, lembra a traição de um irmão.

Pode-se de fato atribuir à saída da Aliança a uma falta de emprenho da Prefeitura de Caxias do Sul ou a guerra fiscal? Seguramente, não de todo, pois há em termos de viticultura outras derrotas no meio.

Há muitos anos se assiste o avanço urbano sobre o meio rural e, consequentemente, a disponibilidade de áreas destinadas ao cultivo da uva é cada vez menor, com a agravante de que esta tendência deve prosseguir, afinal, os caxienses se jubilam de que em breve sua população será de um milhão de habitantes.

Provavelmente, a direção da Aliança já vinha constatando este divórcio entre o urbano e o rural no município, adquirindo terras no município de Encruzilhada do Sul e a Vinícola Santa Colina em Livramento.

Por outro lado, o produtor de uva, desmotivado com o preço mínimo pago pela fruta e envelhecido, está abandonando a atividade, pois o emprego numa empresa redondezas da cidade tem se demonstrado uma alternativa razoável para a sua sobrevivência.

Aqueles que persistem, resolveram produzir suco ou vinho a fim de dar continuidade a sua propriedade rural e com isto há em Caxias do Sul aproximadamente 130 vinícolas de pequeno porte, muitas delas atuando também na área do turismo rural.

Provavelmente, em médio prazo a Aliança ficaria sem matéria-prima local e teria que ir a caça em outros municípios, com maior custo de frete e maiores dificuldades para a própria empresa.

O mundo inteiro assiste complacentemente a uma avalanche de fusões empresariais: Sadia com Perdigão, Pão de Açúcar com Casas Bahia, etc. e estas são uma alternativa importante para dar condições de competitividade neste mercado cada vez mais difícil.

Por qual motivo, uma empresa do Rio de Janeiro, escolheu também Flores da Cunha para instalar uma fábrica para a produção de 10 milhões de litros de suco integral. Também, uma empresa de Minas Gerais se instalou em Monte Belo do Sul para processar mais de 30 milhões de quilos de uva, provavelmente, pela oferta de uva.

Muitas empresas da Serra Gaúcha estão descendo a montanha para plantar uvas em Encruzilhada do Sul, Pinheiras Machado, Bagé, Livramento, etc. Regiões onde é possível cultivar em planícies e mecanizar, além de não dependerem de uma produção extremamente diluída em pequenas propriedades.

O exemplo de união das cinco cooperativas é digno de mérito, pois vai ao encontro dos interesses e anseios da agricultura familiar da Serra Gaúcha, fazendo diminuir o impacto que a relocalização do cultivo da videira pode ocasionar na nossa região.

Portanto, acreditamos que o jornal Pioneiro levantou o problema, mas a culpa não é da Prefeitura de Caxias do Sul e tão pouco teve o mérito de elogiar a louvável iniciativa das cooperativas, que contribuirá inclusive para uma melhor distribuição da produção na região e a diminuição do agigantamento de poucos.

O Pioneiro pensou provincianamente e não regionalmente.

O preço mínimo da uva é justo?

Não é simples afirmar se o preço mínimo da uva é justo ou não, provavelmente, nesta safra 2009/10 o mesmo não o será, pois o tempo não ajudou em nada e os tratamentos foram muitos, aumentando enormemente o custo de produção.

Mas a forma como é feita a divulgação do preço mínimo não é clara. O valor de R$ 0,46/kg é para a uva Isabel com 15°Babo, no entanto, a média da colheita está em torno de 10°Babo e isto significa que o preço da uva ficará em tono de R$ 0,38/kg, para as empresas que são obrigadas a pagar o valor do preço mínimo: as cooperativas e aquelas que financiam a produção com recursos do governo.

Ocorre que a uva é uma matéria-prima – ou mercadoria – igual a qualquer outra, portanto, sujeita as oscilações de mercado. Em outras palavras, quanto mais barata, melhor para a indústria. Este modelo não incentiva a qualidade e a indústria parece não se importar, pois o mercado também parece não exigir qualidade.

O mercado é hoje globalizado, consequentemente, é comum a comparação com outros países e neste sentido a nossa uva é cara em razão da apreciação do Real diante do dólar e outras moedas estrangeiras. Deve-se ressaltar ainda que a nossa viticultura é de montanha – mais custosa - a única da América Latina, portanto, bem diferente que a viticultura de planície – fácil de mecanizar – da Argentina e do Chile. Mais, a média de vinhedos aqui é de 2 hectares por família, enquanto que na Argentina há vinhedos de mais de 1.000 hectares e no Chile também, um importante ganho em escala, uma das razões de que a nossa viticultura está a montanha abaixo em todos os sentidos.

Os juros no Brasil são abusivos se comparados com o resto dos países produtores de vinho, quando não subsidiados ou a fundo perdido, isto eleva o custo de qualquer financiamento e muitos produtores estão com dificuldades para pagar, por exemplo, os empréstimos feitos para a compra de tratores.

O Brasil também é campeão em impostos, um dos mais elevados do mundo e isto encarece tudo. A tarifa de celular no país é a 2ª mais cara do mundo, o lanche Big mac é o 6º mais caro do mundo e assim por diante, portanto os insumos utilizados na viticultura são mais caros, tanto é verdade que há o contrabando destes produtos, vindos dos países vizinhos do Mercosul.

O nosso país é também campeão em burocracia: é taxa e papelada pra tudo que é lado. Agora querem inclusive instituir o selo fiscal para vinhos que será outro custo burocrático importante, para prejudicar ainda mais este setor castigado, cujo prejuízo maior normalmente sobra para o produtor de uva. Com toda a crise, até hoje não se ouviu falar em desemprego na indústria.

A questão cambial, os juros praticados, a tributação e o custo Brasil são de conhecimento do Conselho Monetário Nacional - CMN e sabem disto muito bem, melhor do que ninguém. É difícil de acreditar que o CMN entenda de preço mínimo da uva – francamente, não devem entender absolutamente nada e provavelmente são consumidores de vinhos importados – mas são eles que batem o martelo.

Dirão alguns que é o sistema que está aí e que isto é o legal, mas não o legítimo.

O preço mínimo em seus mais de 40 anos de existência jamais agradou a Gregos e Troianos, portanto, é um sistema que não funciona e é preciso encontrar formas para substituí-lo e soluções para viabilizar a agricultura familiar da Serra Gaúcha.

Para isto é fundamental um amplo diagnóstico das mais de 15 mil famílias que produzem uva na região para visualizar o que é possível fazer para não torná-los tão dependentes da uva. É preciso saber se a agroindústria e o turismo rural é uma saída, a diversificação de culturas e quais, até mesmo uma diversificação de variedades de uvas pode ser uma solução e, principalmente, a produção orgânica.

Tudo isto requer pesquisa, extensão rural, financiamentos dignos e um comprometimento para se evitar uma crise que vem sendo anunciada há um bom tempo. É muito difícil para uma família – casal e dois filhos – viver de um faturamento bruto de aproximadamente R$ 20 mil, valor que provavelmente será a média auferida nesta safra por estas famílias.

Como diz o Deputado Estadual Heitor Schuch, “a agricultura familiar gera quase 90% dos empregos do meio rural, contribui com 30% das exportações do agronegócio e produz praticamente 80% dos hortigranjeiros e dos alimentos que chegam à mesa dos gaúchos. Essa categoria precisa ser cada vez mais valorizada, respeitada e reconhecida, pois devemos entender que quem não vive da agricultura familiar depende dela para sobreviver”.

É o momento da Sociedade Civil participar

É praticamente consenso de todos de que o modo como vivemos hoje em dia é insustentável e se prosseguirmos desta forma acabaremos por esgotar todos os recursos da natureza, pois é preciso crescer e crescer sem levar em conta a capacidade do planeta.

Não se está com isto duvidando da capacidade do ser humano em se adaptar e buscar soluções para os problemas existentes. No passado foram feitas diversas previsões sombrias sobre os destinos da humanidade, mas nenhuma delas considerava o aquecimento global, a poluição e o esgotamento dos recursos naturais, principalmente, a água.

Nas cidades se pensa apenas em saber quantos empregos serão gerados neste ou no próximo ano, consequentemente, quantas empresas deveremos atrair, na necessidade de moradias para abrigar estas pessoas e assim por diante, enfim tudo em nome do progresso.

No entanto, tudo parece se resumir às ações do Estado ou daquelas da iniciativa privada. O primeiro depende de como atrairá votos para se manter no poder e decisões serão tomadas neste sentido, não há outro compromisso senão este. Já o segundo depende do mercado, este Deus Todo Poderoso e se não atender as suas exigências, morre.

Dentro desta polarização a sociedade civil fica a mercê dos interesses destes dois grupos. Ora é a iniciativa privada que deve comandar o espetáculo, ora é o Estado que deve intervir ou ser forte, sem, no entanto, cumprir o seu papel que é proporcionar segurança, saúde e educação para os seus cidadãos.

É o momento, portanto, da sociedade civil passar a se preocupar com o seu destino e futuro, interferindo nas ações e decisões tanto do Estado como da iniciativa privada, já que o modelo atual vem demonstrando ser incapaz de realizar suas atribuições ou pelo menos o que se espera.

Vários exemplos de movimentos sociais estamos assistindo com maior freqüência, através de associações, Ongs, Oscips, cooperativas e, principalmente, pela economia solidária a sociedade civil está encontrando alternativas, pois entra ano e sai ano, os governos se caracterizam por apagar incêndios e a iniciativa privada não colabora para resolver os problemas do presente para que estes não continuem a ocorrer no futuro, ou seja, não há planejamento. Não há um município sequer na Serra Gaúcha que esteja planejando como gostaria de ser daqui a 20 anos.

Cabe aqui ressaltar as ações das entidades Pro Teste e Idec de defesa do consumidor que denunciaram a presença de substância cancerígena em refrigerantes, néctares e refrescos, bem como de corantes prejudiciais à saúde do consumidor. Uma clara demonstração de que o Estado em si está falido, pois através dos órgãos públicos competentes não consegue detectar estes problemas.

Enquanto não houver projeções e, no mínimo, um plano de metas do que se deseja, continuará persistindo o modelo atual, baseado exclusivamente no consumo, que já passou a ser sinônimo de felicidade e na cata de votos.

De nada servirá candidatura única, como deseja o Fórum das Entidades de Bento Gonçalves, se não houver um projeto para o município e isto vale para qualquer outro da região. Isto serve também para a nossa vitivinicultura.

O que somos? O que queremos? Para onde vamos? Seguramente, a maioria não quer seguir como está. Depende é claro da educação, mas se um passo não for dado, daqui a 20 anos estará pior.

Cuidado com o refrigerante que você dá aos seus filhos

A adição dos ácidos benzóico e ascórbico como conservantes em refrigerantes provoca a formação de benzeno, que está relacionado ao desenvolvimento de câncer.
A Pro Teste – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor é quem denunciou a presença em 7 entre 24 produtos testados. Além da Sukita Zero e da Fanta Laranja Light com concentrações acima dos limites aceitáveis, apresentaram benzeno as bebidas Fanta Laranja, Sprite Zero, Sukita, Dolly Guaraná e Dolly Guaraná Diet. O interessante é que isto foi denunciado pela sociedade civil, numa clara demonstração que o Estado em si está falido, pois os órgãos oficiais competentes não estão cumprindo o seu papel de fiscalização à altura do que se espera deles.
Graças à ação da Pro Teste e a que também assistimos do Idec em relação aos néctares e refrescos, é que o Ministério Público Federal fará testes com os refrigerantes e o deveriam fazer também com os “denorex” de suco.
As empresas
Coca-Cola, Ambev e Dolly, foram notificados para prestar esclarecimentos sobre o benzeno e também sobre a presença de corantes artificiais como o amarelo tartrazina - relacionado a alergias - e o amarelo crepúsculo - ligado a hiperatividade em crianças. Ambos são permitidos no Brasil em pequenas quantidades, mas já foram proibidos em outros países.
Qual será a punição destas empresas que estão atentando contra a saúde do consumidor?

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Liberado empréstimo para produtor familiar

CMN aprova medida de apoio para atingidos por problemas climáticos

Agricultores familiares que tiveram prejuízos nas propriedades poderão tomar novos empréstimos, mesmo se estiverem endividados. O anúncio foi feito ontem pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).Produtores que perderam o patrimônio poderão ter auxílio do Pronaf e do Pronaf Mais Alimentos. A medida deve ajudar na reconstrução de propriedades prejudicadas pelo clima.– Não se trata de renegociação – disse o secretário adjunto de política econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt.– Nos últimos meses, em razão dos problemas climáticos, tem ocorrido demanda de negociação que, além de afetar produção, afeta o patrimônio usado para a produção – acrescentou.A avaliação é a de que, se o produtor não tiver condições de prosseguir com seu trabalho, haverá uma dificuldade maior ainda de honrar sua dívida.O conselho também aprovou medidas para cooperativas e para quem produz uvas. Os produtores reivindicavam alta do preço mínimo da uva, mas o governo manteve o valor em R$ 0,46 o quilo e decidiu-se que, a partir desta safra, a renovação será automática.Foram alteradas as condições do Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias. O limite de crédito por associado sobe de R$ 25 mil para R$ 40 mil. Além disso, vai ser permitido reservar até R$ 2 bilhões para capital de giro para aplicação direta nas cooperativas.– Até então, o programa tinha uma trava: ou financiava o produtor ou repassava para a cooperativa. Agora estamos tirando essa trava: tanto faz se o recurso vai via produtor ou cooperativa – explicou Bittencourt.De acordo com o secretário, a mudança foi necessária porque quase todo o recurso contratado até agora está no foco cooperativo:– Temos R$ 850 milhões até agora para cooperativas e, para o produtor, é quase nada. É insignificante. Por isso, estamos tirando a trava.Em relação ao saldo de R$ 2 bilhões, explicou que, anteriormente, desse recurso que era destinado ao programa, apenas R$ 1 bilhão poderia ser aplicado diretamente nas cooperativas. O restante só poderia ser destinado aos associados para que estes integralizassem na cooperativa.

Por que é importante
- Com a medida, agricultores familiares que sofrem impedimento de obter uma segunda linha de crédito porque não são capazes de honrar a primeira a contento poderão, a partir de hoje, obter o novo financiamento, desde que seu patrimônio esteja comprometido a ponto de emperrar a continuidade a suas atividades.


Fonte: ZERO HORA de 26/02/2010